Experiences...
Hoje vou fazer um pequeno relato de uma experiência pela qual estou passando.
Recebemos esse ano nas turmas de 7º ano de minha escola alunos extremamente indisciplinados. Como eles foram meus alunos no ano passado, eu já sabia exatamente o que esperar. E, apesar de acreditar que nota não é o ideal para controle de disciplina, apelei para uma distribuição de notas que fosse afetada diretamente pelo comportamento dos alunos em sala de aula. Minha experiência com esses alunos já tinha me mostrado que esse era o melhor caminho de pelo menos conseguir entrar na sala e dar a minha aula como planejado.
Eu separei 2, dos 12 pontos de processo (pontos distribuídos durante o bimestre) para a confecção de um Journal. Para quem não conhece, esse é um instrumento muito utilizado em aulas de Língua Estrangeira (LE): o aluno deve produzir uma espécie de relatório, na LE, falando sobre a aula do dia. Como sei que meus alunos não conseguem escrever em LE, expliquei o que era o instrumento e fui auxiliando-os a escrevê-lo em LM (Língua Materna) durante as primeiras aulas. Agora eles já chegaram a um ponto em que escrevem o relatório sozinhos. Apelei para essa atividade como forma de controle da disciplina porque eles sabem que se não prestarem atenção à aula não conseguirão produzir o relatório e, como consequência, perderão nota.
Tenho notado relatos interessantes dos alunos, mas essa semana fui, de certa forma, surpreendida. Fiz em todas as turmas uma atividade de organizar as frases na ordem correta para que relembrassem pronomes pessoais e o verbo To Be. Cortei frases e misturei as palavras e, em grupos de 5 alunos, as frases deveriam ser organizadas na ordem correta. O desafio era ver qual grupo terminaria primeiro apresentando as 12 frases corretas.
Nas primeiras turmas em que a atividade foi realizada, turmas mais problemáticas, os relatórios apresentaram somente reclamações: não gostaram da atividade, preferiam ter copiado do quadro, não gostaram de trabalhar em grupos, não gostaram das pessoas do grupo (que eles mesmo formaram). Enfim, só reclamações. Cheguei a pensar em desistir de fazer a atividade nas outras turmas por achar que ela não estava produzindo resultados.
Mas não desisti. E as últimas turmas a fazer foram justamente as melhores turmas (em termos de conteúdo e de disciplina). E qual não foi minha surpresa ao ler seus relatórios! A maioria elogiando, dizendo que gostou de trabalhar em grupos, que puderam relembrar conteúdos esquecidos, que atividade atingiu seu objetivo.
Fiquei então a pensar: realmente devemos levar em consideração o perfil da turma antes de fazer qualquer atividade. Às vezes pensamos que ao fazer dinâmicas e atividades que fogem da rotina normal da sala de aula podemos produzir bons resultados em turmas ruins, quando na verdade percebi que é o contrário. As turmas de alunos indisciplinados e de pouca bagagem de conhecimento funcionam bem melhor com as atividades tradicionais (a famosa aula expositiva). São tão acostumados a elas que, quando se vêem obrigados a agir diferente, a realizar atividades diferentes, simplesmente não conseguem.
Talvez muitos teóricos e professores experientes já tenham constato esse fato, mas pra mim foi uma novidade e tanto! Por isso resolvi compartilhar por aqui. Quem sabe outros professores ainda novatos na profissão possam aprender um pouquinho comigo!
